quarta-feira, 5 de junho de 2013

MEMÓRIAS

Memórias


   Lembro-me de que sempre havia livros, enciclopédias, revistas e jornais em casa. Naquela época não tínhamos televisão. Recordo-me muito bem que os primeiros contatos que tive com a escrita foram através de álbuns de figurinhas colecionados por meu pai e por meu avô (cresci com meu avô, morávamos ao lado da casa dele). Meu avô não teve oportunidade de estudar muito. Nascido em Itu em 1910, seu pai era italiano e sua mãe austríaca. Vovô cresceu ouvindo os pais sempre conversando em Italiano, ou em alemão. Lembro também de o meu avô lendo os jornais Italianos que guardava com muito zelo, os quais traziam notícias da morte de uma prima, que era cinegrafista na Itália, durante a primeira guerra. Vovô lia a notícia já traduzindo para o português para que nós (sim, digo nós porque, minhas primas e eu, ficávamos compenetradas ouvindo as histórias e as notícias que meu avô nos contava) pudéssemos entender.



   Não sei se por influência das histórias que meu avô nos contava, o livro que tenho até hoje em minha memória é o “Diário de Anne Frank” no qual a garota (com 13 anos) descreve os desesperos por que passou juntamente com sua família em Amsterdã durante a ocupação nazista nos Países Baixos.


   Confesso que no período em que cursei o ginásio (naquela época era assim que chamávamos o ciclo II do Ensino Fundamental) eu tinha dificuldades em produzir textos, mas sempre gostei de ler.

   O tempo foi passando, fui ficando moça e surgiu a necessidade de conseguir um primeiro emprego para que eu pudesse comprar minhas próprias coisas. Pois bem, minha primeira experiência foi numa agência de publicidade aqui na cidade. Foi lá que tive a oportunidade de trabalhar com produções de textos, pois meu patrão, naquela época, decidiu lançar uma revista mensal em que trouxesse notícias e histórias locais. Lembro-me como se fosse hoje, minha primeira experiência como “repórter” foi em uma casa de recuperação de dependentes químicos, que por sinal, ainda existe. Durante esse trabalho, gravei entrevistas com alguns internos e também com administradores daquele local e posteriormente voltei para a agência para redigir a reportagem. O fato de eu trabalhar nessa agência fez com que eu descobrisse o gosto pela área de Letras.

Um comentário:

  1. Que bacana! Cada um tem mesmo sua história... De vida, de leitura, de professor... E são as diferenças, uma vez partilhadas, que fazem tanta "diferença" em nós.

    ResponderExcluir