sábado, 15 de junho de 2013

Uso da Vírgula (Sua importância na construção do sentido do texto)

Leia este trecho do livro Ora, vírgulas!

( ... ) a menina saiu da cozinha, sentou-se no degrau que dava para o quintal. Pegou o livro que deixara ali caído, antes de entrar para tomar café.
E quase caiu do degrau quando começou a ler! 
O livro dizia:

O menino sabido como ele
só tinha uma cachorrinha
com três filhotes e o pai do menino
era uma gata amarela esperando
cria também do menino
era todo bicho que aparecesse
no quintal com cara de fome.

"Ou eu fiquei biruta ou o livro é que ficou!" - pensou Stela. - "O pai do menino era uma gata? O quintal tinha cara de fome? O menino era pai da cria da gata? Esses escritores escrevem cada vez mais esquisito ... "
Foi então que percebeu o pássaro ainda no quintal, pousado no muro, comendo bichinhos. Um deles escapou do bico afiado e caiu ao chão, bem em cima de um jornal velho. Stela ficou curiosa e foi ver que bicho era.
Formiga? Mosquito? Que nada, era uma vírgula. E mal se viu caída no papel do jornal, arrastou-se em meio às palavras escritas procurando um lugar onde se encaixar. Logo deu com a data e se enfiou entre um "São Paulo" e um "16 de novembro".
Stela olhou as coisas escritas no resto do jornal. Não tinha sobrado mais nenhuma vírgula ali! As frases estavam parecidas com as de seu livro - estranhas, compridas e sem nada para separar palavras além de espaços e pontos finais.
Que descoberta! Aquele pássaro havia devorado as coitadinhas e voado do quintal com a barriga cheia.
"Até que é bom se ele acabar com todas elas" - refletiu a menina -, "botar vírgulas nos lugares certos dá muito trabalho."

Rosana Rios. Ora, vírgulas! São Paulo, Global, 1994. P.5.


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